domingo, 29 de maio de 2011

Desejo e consumo

Felicidade e consumo parecem estar cada vez mais ligados na vida moderna, pesquisadores na area constataram que a maioria das pessoas faz essa assimilação de forma natural ao adquirirem um bem desejável. Mas essa idéia traz a tona uma reflexão sobre nossas vidas, o quanto o consumo tem tomado o lugar das relações pessoais, nos tornado mais frios, mais fúteis, mais endividados para satisfazer dejesos inseridos pela indústria do marketing, esta que, bombardeia-nos com novidades tecnológicas cada vez mais avançadas.
Vivemos na época do crédito facilitado e do culto ao consumo, quem não consome não é considerado nem cidadão ativo economicamente pela sociedade, a indústria e comercio nem sequer tem dado conta de suprir as necessidades do mercado, faltam constantemente mão de obra qualificada ou não, matéria prima para dar conta, saciar as necessidades humanas que são ilimitadas enquanto que, os recursos são limitados.
Os supermercados, os shopping centers, os centros populares são o paraíso dos consumidores que ficam ainda mais sedentos e vorazes nos dias comemorativos, feriados comerciais. Os trabalhadores aproveitam os seus dias de folga para sair atrás de seus desejos, as vezes nem mesmo sabem do que precisam, mas basta algumas voltas para que apareça algo desejável.
Há quem prefira passear nos shoppings a ir a um parque em um sábado ou domingo de sol, cinema ao teatro, nada contra o cinema além do que serem filmes hollywoodianos vazios de conteúdo, ainda, lotam as praças de alimentação para consumir fast foods nada saudáveis.
É claro que isso pode ser apenas uma questão de ponto de vista e que o normal é mesmo estar fazendo parte dessa euforia colorida, todos se sentem fazendo parte de algo, saber o que está rolando no mundo, os filmes do momento, a moda, as novidades, sentir que estão fazendo a economia do país girar.
A questão é que o desejo nunca cessa, a sensação de gozo e satisfação momentanea logo se esvai e é preciso renovar o desejo, a espectativa, a ânsia pelo novo objeto de adorno seja ele qual for. Parece que o verdadeiro prazer está no ato de desejar e não de realmente alcançar o objeto desejado.
Essa pertubação constante se distancia do conceito de ataraxia proposto pelos filósofos estóicos há milhares de anos, a idéia partia do princípio de diminuir os desejos em prol de uma tranquilidade da alma, uma serenidade, um desfrutar da vida de forma mais comtemplativa, valorizando mais as relações do ser com o mundo, consigo mesmo e com outras pessoas.
A ataraxia permite degustar os alimentos com o devido respeito e prazer, olhar as pessoas nos olhos, contemplar as coisas belas em volta, ouvir, sentir, viver a vida de forma mais plena e prazeroza.

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