segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Frustração e superioridade

Viver em São Paulo esfria os corações, torna as pessoas mais insensíveis para com o resto do mundo ao seu redor. É como se cada indivíduo estivesse dentro de uma espécie de bolha com toda a sua vivência, atividades que fazem referência a vida de cada um em particular. Essa idéia se assemelha ao conceito de lebenswelt do filósofo husserl onde cada um, apesar de conviver todos juntos enquanto inseridos no mundo tem sua própria realidade, esta que as vezes se entrecruzam em algum ponto.
No entanto, há uma resistência forçada dos indivíduos em não sairem de seus mundos, ou mesmo, pode se ter em graus de diferenciação de um mundo para outro versus a força de resistência para não ter contato com o mundo do outro.
Por exemplo, uma pessoa não oferecerá muita resistência ao se deparar com outra pessoa que lhe seja interessante em qualquer sentido o contato, mas se este contato for indesejável e conflitante, a pessoa pode resistir a ponto de ignorar por completo a ter contato com o mundo da outra. Desta resistência tem se os casos de violência que explodem nas grandes metrópoles, nas periferias o descaso do Estado como tutor e garantidor dos direitos fundamentais da pessoa não são páreos para o descaso dos próprios cidadãos que proliferam a pobreza. E o fazem de que modo? Tem filhos sem nenhum controle ou planejamento, sem condições de cria los, sem saber cria los, pois é, o direito de ter filhos também é assegurado pela constituição, enquanto as familias de classe média e alta optam por ter um ou no máximo dois filhos, na periferia não se tem controle algum, mesmo hoje com todos os meios de comunicação, internet, lan houses dentro das comunidades, tecnologia ao alcance de todos até dos mais pobres, as pessoas menos favorecidas parecem não ter interesse ou mesmo não se importar em prevenir uma gravidez indesejada, Os postos de saúde estão preparados para darem dezenas de camisinhas, pilulas anticoncepcionais, folhetos informativos a qualquer um que pedir, mas mesmo assim... Depois culpa-se o Estado por não estar zelando pelo cuidado para com suas crianças concebidas sem qualquer preocupação com as mesmas.
Hora, não vamos falar da moral já tão fora de moda, falemos da realidade, que futuro se pode oferecer e cobrar de um garoto ou garota da periferia? Enquanto o filho único ou com mais um irmão da classe média ou alta, agora denominadas como A e B, estudam em colégios particulares, fazem ingles, espanhol, já na adolescência com a faculdade planejada, muitos se formam na faculdade com 21 anos, como o jovem da periferia irá competir justamente com esses "rivais"? Não é questão de cotas, não é disso que se trata, não ajuda diminuir alguém tão jovem, veja, o garoto que tem de vender balas ou qualquer outro trabalho humilhante fica com a auto estima baixa, e auto estima é tudo para um jovem em formação, um jovem, um adolescente, tem de ter boa saude, educação, boas roupas, estrutura familiar, dentes saudáveis, um futuro planejado e possibilidade de competir de forma justa e igual para com os jovens das outras classes sociais.
Mas para não fugir do contexto, este texto não é sobre a luta de classes já tão abordada, aqui buscamos uma outra visão, uma visão que tira um pouco a responsabilidade do Estado e a transfere para os pais e para a industria do marketing, para a midia. Os pais dessas crianças, futuros jovens não lhes dão condições de serem jovens adultos dignos e com auto estima e capacidade para competirem no mercado de trabalho e conseguirem os melhores empregos o que faria quebrar o ciclo da pobreza que passa de geração em geração, a midia corporativa junto com a industria do marketing despesa toneladas de propagandas e produtos, aí temos drogas como o alcool por exemplo a roupas de marcas, produtos tecnologicos, carros e um estilo de vida que não é para todos mas que aguçam os jovens da periferia de todo o Brasil que sem um educação adequada acham ser a verdadeira felicidade e status esse pretenso modo de vida.
Existe um culto as marcas em músicas, em todo um estilo de vida que agora é voltado para uma classe que não tem condições de te lo realmente, porque as classe que teriam condições perderam o interesse visto que os pobres usam no. Desse desejo eufórico que levam garotos de 11 anos furtarem um celular porque seus colegas na escola tem e ele não, a medida em que a idade vai avançando só piora. O status não recrimina o que se faz, e sim só olha o que se tem, o costume que acompanha a sociedade não vê mais o ladrão, o traficante com os olhos de antigamente, estes agora são considerados e as mulheres os desejam, reinam.
As pessoas que não fazem parte desse meio, acham que isso é algo alheio a eles, mas o filho da classe A ou B ou C quando estiver passeando em uma bela noite com os amigos de carro no farol será abordado pelo filho da classe D ou E. Isso se dá de uma forma geral, é claro que o mundo está cheio de excessões, o fato é que esses mundos hão de se cruzar em certo momento e pode ser de modo violento.
Muitas pessoas preferem ignorar tudo isso, ao verem as pessoas de outra classe social preferem não ter contato e sentem se de certo modo superios a eles, materialmente porque tem mais condições financeiras, psicologicamente pois sentem-se mais inteligentes que elas e o mais grave é que sentem se espiritualmente superiores que elas, influenciados por alguma doutrina religiosa que prega que se tais pessoas estão passando por tal dificuldade ou situação é porque merecem.
Com certeza não admitem isso para ninguem, apenas guardam em seu intimo, mas acredite, essa é uma forma de pensar muito comum para se sentir melhor consigo mesmo e ficar alheio as desgraças do mundo, é como algumas crenças que tem plena convicção de que vão para o ceu por estarem inseridos naquela religião que quando veem alguem de crença ou opnião distinta chegam a ficar até com dó ou desprezo pela certeza de que aquele está perdido. Enfim, essa indiferença e individualismo faz explodir a violência enquanto alguns fazem piada da igualdade.
Como disse mano Brown em algumas de suas músicas," hei bacana, quem te fez tão bom assim?"
ou ainda "voces dão taça de veneno e quer sulfler?"
Então, baseado nessas crenças religiosas, já nascemos com merecimentos estabelecidos e se sofremos é porque merecemos e se somos abastados é porque merecemos, não temos crédito por nossas ações, não temos controle por nossas vidas, não somos responsáveis por nossos atos.
O povo da periferia tomada por milhares de igrejas exploradoras e bares precisa acordar, se desfazer do papel de vítima e parar de esperar pelo negligente Estado que nos governa, se responsabilizar como adultos pelos próprios atos e pela vida de suas crianças e jovens. O pobre não pode cometer muitos erros, as oportunidades são mais escassas, não se pode cultivar vícios e sim bons hábitos, há de se mudar toda uma maneira de pensar, ignorar a mídia, o marketing, o consumo exacerbado, a má alimentação, o sedentarismo, a religião que tira a auto estima e qualquer tipo de droga. As classes que se julgam superiores devem refletir e pensar que não são merecedoras de nada, apenas por acaso ou por esforço de seus antecessores que estão em condições melhores, mas nem por isso pode se viver em mundos separados, livre de contato e inventando desculpas religiosas ou não para se sentirem melhor consigo mesmos e viverem suas vidas felizes e sem culpa.

domingo, 29 de maio de 2011

Desejo e consumo

Felicidade e consumo parecem estar cada vez mais ligados na vida moderna, pesquisadores na area constataram que a maioria das pessoas faz essa assimilação de forma natural ao adquirirem um bem desejável. Mas essa idéia traz a tona uma reflexão sobre nossas vidas, o quanto o consumo tem tomado o lugar das relações pessoais, nos tornado mais frios, mais fúteis, mais endividados para satisfazer dejesos inseridos pela indústria do marketing, esta que, bombardeia-nos com novidades tecnológicas cada vez mais avançadas.
Vivemos na época do crédito facilitado e do culto ao consumo, quem não consome não é considerado nem cidadão ativo economicamente pela sociedade, a indústria e comercio nem sequer tem dado conta de suprir as necessidades do mercado, faltam constantemente mão de obra qualificada ou não, matéria prima para dar conta, saciar as necessidades humanas que são ilimitadas enquanto que, os recursos são limitados.
Os supermercados, os shopping centers, os centros populares são o paraíso dos consumidores que ficam ainda mais sedentos e vorazes nos dias comemorativos, feriados comerciais. Os trabalhadores aproveitam os seus dias de folga para sair atrás de seus desejos, as vezes nem mesmo sabem do que precisam, mas basta algumas voltas para que apareça algo desejável.
Há quem prefira passear nos shoppings a ir a um parque em um sábado ou domingo de sol, cinema ao teatro, nada contra o cinema além do que serem filmes hollywoodianos vazios de conteúdo, ainda, lotam as praças de alimentação para consumir fast foods nada saudáveis.
É claro que isso pode ser apenas uma questão de ponto de vista e que o normal é mesmo estar fazendo parte dessa euforia colorida, todos se sentem fazendo parte de algo, saber o que está rolando no mundo, os filmes do momento, a moda, as novidades, sentir que estão fazendo a economia do país girar.
A questão é que o desejo nunca cessa, a sensação de gozo e satisfação momentanea logo se esvai e é preciso renovar o desejo, a espectativa, a ânsia pelo novo objeto de adorno seja ele qual for. Parece que o verdadeiro prazer está no ato de desejar e não de realmente alcançar o objeto desejado.
Essa pertubação constante se distancia do conceito de ataraxia proposto pelos filósofos estóicos há milhares de anos, a idéia partia do princípio de diminuir os desejos em prol de uma tranquilidade da alma, uma serenidade, um desfrutar da vida de forma mais comtemplativa, valorizando mais as relações do ser com o mundo, consigo mesmo e com outras pessoas.
A ataraxia permite degustar os alimentos com o devido respeito e prazer, olhar as pessoas nos olhos, contemplar as coisas belas em volta, ouvir, sentir, viver a vida de forma mais plena e prazeroza.